Foto: Camila Sousa - Willy Jules, de Porto Príncipe no Haiti
Pessoas chegam à capital paulista todos em dias na esperança de novas oportunidades
Pessoas chegam à capital paulista todos em dias na esperança de novas oportunidades
O Brasil é um país que sempre recebeu muitos imigrantes, e este número
aumentou nos últimos anos, principalmente de países africanos e do Haiti, que
sofreram com conflitos locais e desastres naturais. Muitas destas pessoas se
dirigem a São Paulo, principalmente em busca de emprego, apesar de, muitas
vezes, terem pouca qualificação. Este é o caso de Willy Jules, que saiu de
Porto Príncipe, no Haiti para trabalhar em uma obra na grande São Paulo. Sem
muito conhecimento na língua portuguesa, o homem de 40 anos tenta se comunicar
como pode: “Português tá muito difícil. Difícil demais. Tem muitos que vem
aqui pro Brasil e não consegui de falar normal [sic]”.
Para entender melhor como a cidade tem acolhido tais pessoas,
conversamos com Guilherme Otero, assessor da Coordenação de Políticas para
Migrantes da Secretaria de Direitos Humanos da Prefeitura de São Paulo:
Full Time e etc.: Quais são os tipos de
pessoas que vocês atendem aqui?
Guilherme Otero: Nosso papel aqui, na
verdade, não é atender ao público e sim pensar nas políticas direcionadas para
a população e ai. Estamos falando de migrantes internacionais, refugiados,
gente com documento, gente sem documento, não fazemos nenhum tipo de
diferenciação.
FTetc: E em quais condições elas chegam aqui?
GO: Depende do fluxo, depende da nacionalidade e do que essa pessoa veio
fazer aqui. Os fluxos que vêm para São Paulo são muito plurais, então você tem
desde migrantes que chegam com trabalho, funcionários de multinacionais, com
todas as condições financeiras, até refugiados que passaram pelos maiores
traumas e chegaram a São Paulo sem nem saber que estão no Brasil. Pobres,
sozinhos, sem nenhuma condição, sem falar português, alguns inclusive
analfabetos.
FTetc: Vocês conseguem fazer algum tipo de capacitação
profissional?
GO: Sim. O primeiro passo para isso é sempre o curso de português. Mas o
munícipio trabalha muito com o PRONATEC, e tem alguns cursos de
empreendedorismo da Agência São Paulo de Desenvolvimento, e da própria
Secretaria de Trabalho. Então eles conseguem fazer esses cursos. Em 2014, os
cursos do PRONATEC faziam muito sucesso entre os imigrantes, ao contrário dos
brasileiros. Cursos de hotelaria, pizzaiolo, auxiliar de escritório, coisas
assim. Com o CPF, eles conseguem o acesso. E achamos um caminho interessante
também, pelo PRONATEC ter a bolsa por hora/aula, para que a pessoa consiga pelo
menos se deslocar.









